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Uma morte pede passagem e a política parece interromper a corrida pela vacina

Publicado em: 12/11/2020

por Fernando Duarte

Uma morte pede passagem e a política parece interromper a corrida pela vacina

Foto: Divulgação / GOVSP

Havia morte no meio do caminho. E ela não foi necessariamente causada pelo novo coronavírus. Foi uma morte que interrompeu os testes da CoronaVac, conduzidos no Brasil pelo Instituto Butantan, de São Paulo. Na noite de segunda-feira, a suspensão da testagem pela Anvisa gerou tensão. Era um “evento adverso”, comum em pesquisas. No dia seguinte, a divulgação de que a morte do voluntário teria sido suicídio. No meio de tudo isso, uma comemoração do presidente: “Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”.

 

O saldo dessa briga política entre o presidente e o governador de São Paulo, João Doria, é a descredibilização de duas instituições relevantes para a saúde pública no Brasil: a Anvisa e o Instituto Butantan. Por mais que a agência reguladora federal seja respeitável pela sua postura técnica adotada até aqui, o comportamento errático do governo federal levantou dúvidas se a decisão de suspender os testes seguia a ciência ou as vontades do presidente.

 

A guerra política em torno da CoronaVac só beneficia a campanha crescente do movimento antivacina. A suspensão dos testes determinada pela Anvisa gerou uma onda de comentários para fortalecer o discurso de que o imunizante não teria eficácia, endossados pela irresponsabilidade do presidente que governa pelas redes sociais. Veio de uma publicação de Jair Bolsonaro – provavelmente escrita pelo chamado gabinete do ódio – a principal fonte de alimentação dessa teoria da conspiração: “Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la (sic)”.

 

Como se não bastassem os mais de 160 mil óbitos dos números oficiais, os brasileiros precisam conviver com uma dissimulação sobre a possibilidade de vacina. Não que o Instituto Butantan e a CoronaVac não estejam passíveis de errar. É assim que se faz ciência. Só não é possível que haja uma celebração de uma medida técnica como se fosse uma ação política, como foi o caso da interrupção dos testes.

 

Longe de defender João Doria, é preciso reconhecer que o tucano recuou nesse caso. Desistiu de partir para o embate direto com Bolsonaro, enquanto o presidente se regozijou nas redes por uma “conquista” que pode atrasar o acesso do brasileiro a um imunizante. Não dá para ficar tranquilo sabendo que estamos sendo governados por um bando de meninos mimados e birrentos. E que sequer conseguem lamentar uma morte.

 

Este texto integra o comentário desta quinta-feira (12) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para a rádio A Tarde FM. O comentário pode ser acompanhado também nas principais plataformas de streaming: SpotifyDeezerApple PodcastsGoogle Podcasts e TuneIn

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