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Máscaras transparentes usadas por candidatos não têm eficácia contra Covid e ‘não são EPI’

Publicado em: 04/11/2020

por Jade Coelho

Máscaras transparentes usadas por candidatos não têm eficácia contra Covid e 'não são EPI'

Foto: Divulgação

A intenção até pode ser boa, mas o uso de máscaras de acrílico não tem eficiência na proteção contra a transmissão da Covid-19 e não é recomendada por infectologistas. O acessório vem sendo adotado por candidatos nas eleições deste ano, mas o uso dele pode colocar em risco os postulantes e a população.

Em evento de campanha, as candidatas Fabíola Mansur e Major Denice e o governador rui Costa utilizam a máscara de acrílico | Foto: Jonas Santos/ Ascom Major Denice

 

Em Salvador, figuras como as candidatas Major Denice (PT), Fabíola Mansur (PSB), o governador Rui Costa (PT), os postulantes Celsinho Cotrim (Pros), Eleusa Coronel (PSD), o senador Angelo Coronel (PSD), e o vereador Edvaldo Brito (PSD) já apareceram em agendas de campanha com a máscara transparente. Só que a infectologista Clarissa Cerqueira é enfática ao explicar que o item não pode nem ser considerado um Equipamento de Proteção Individual (EPI).

 

“Essa máscara de acrílico não tem capacidade de filtragem. Ela até dificulta a respiração, não tem passagem de ar, só serve como uma barreira mecânica, não tem indicação”, disse a médica.  

Celsinho Cotrim é candidato a prefeito de Salvador e também aderiu à máscara | Foto: Matheus Caldas/Bahia Notícias

 

A Bahia foi um dos primeiros estados a determinar o uso de máscaras por toda a população. De lá para cá foi amplamente divulgada a importância do uso e eficácia do EPI em um momento de pandemia. Estudos indicam que a máscara reduz as chances de que pessoas infectadas com a Covid-19 transmitam o vírus, e naquelas saudáveis, o EPI funciona como barreira e impede que gotículas de saliva com partículas virais entrem em contato com as células da mucosa nasal e bucal.

 

Para que realmente funcione como proteção, a máscara precisa ter a composição e ser utilizada na posição correta. Ela deve cobrir nariz, boca e queixo, de forma bem ajustada ao rosto e sem que fiquem espaços. A máscara transparente que tem sido vista nos eventos políticos na Bahia não se enquadram nesses critérios de segurança, ressalta a médica. “Não é considerado EPI, não é registrado esse tipo de máscara para uso, e nem é recomendado. Porque não tem nenhuma eficácia, nenhum estudo científico é feito com esse tipo de máscara”, ponderou Clarissa Cerqueira.

 

Ela ainda acrescenta que o ideal e recomendado é o uso de máscaras cirúrgica e de tecido, que já passaram por testes e se provaram eficazes.   

 

Uma pesquisa publicada no início de setembro na revista Physics of Fluids, do Instituto Americano de Física, revelou a ineficácia de visores transparentes (conhecidos como protetores faciais ou face shield) e máscaras com válvulas para conter o novo coronavírus. Durante o estudo cientistas analisaram os equipamentos de proteção, utilizados em muitos hospitais por profissionais de saúde inclusive. Tosses e espirros foram simulados através de um manequim com nariz e boca cobertos por diferentes tipos de proteção. Foram testadas ainda máscaras caseiras, cirúrgicas simples de duas marcas diferentes, visores transparentes e máscaras do tipo N95 com ou sem válvula de expiração. A simulação da dispersão de gotículas foi feita com uma bomba manual que criou jatos de água destilada e glicerina, e acompanharam sua dispersão no tempo e no espaço com lâminas de laser (leia mais aqui).

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